59º Aniversário de Criação do Coordenador da Área Marítima do Atlântico Sul (CAMAS).
MIÉRCOLES, 19 DE AGOSTO DE 2026 – BRASIL
A trajetória da organização combina tradição, adestramento operacional e evolução permanente dos mecanismos de intercâmbio de informações, com foco na Consciência Situacional Marítima e nos desafios do ambiente marítimo contemporâneo.

A Organização da Área Marítima do Atlântico Sul (AMAS) tem suas origens nas reuniõesentre Chefes Navais da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, iniciadas em 1957, em um período no quala segurança das linhas de comunicação marítimas já se apresentava como elemento fundamental para aestabilidade econômica e estratégica dos Estados. Esse processo culminou, em 1967, na formalização deuma estrutura permanente de cooperação naval combinada, destinada à coordenação do tráfego marítimoe à proteção das rotas marítimas.
Desde então, a AMAS consolidou-se como a mais antiga estrutura de cooperação navalcombinada em funcionamento contínuo na América Latina. Sua longevidade traduz não apenas suarelevância histórica, mas, sobretudo, a capacidade de seus integrantes de preservar objetivos comuns eadaptar a Organização às sucessivas transformações do ambiente marítimo.
Ao longo desses 59 anos, o próprio Atlântico Sul também se transformou. Historicamentecaracterizado como uma região de relativa estabilidade e cooperação, esse espaço marítimo adquiriucrescente importância para o comércio internacional, para os fluxos energéticos, para a exploração derecursos naturais e para a circulação de dados. Paralelamente, a intensificação do tráfego marítimo, amaior complexidade das cadeias logísticas globais, a atuação de redes ilícitas transnacionais e o crescenteinteresse de atores extrarregionais passaram a impor novos desafios aos Estados da região.
Nesse cenário, a estabilidade do Atlântico Sul não deve ser compreendida apenas comouma condição historicamente alcançada, mas como um patrimônio estratégico a ser continuamentepreservado. Essa tarefa exige confiança mútua, conhecimento do ambiente marítimo, intercâmbio deinformações e capacidade de coordenação entre os países que compartilham esse espaço.
É nesse contexto que a trajetória da AMAS revela sua permanente importânciaestratégica. Concebida originalmente em torno da segurança das linhas de comunicação marítimas e daproteção do tráfego marítimo, a Organização soube evoluir sem perder sua essência. À sua missãotradicional somaram-se novas possibilidades de cooperação, particularmente no fortalecimento daConsciência Situacional Marítima, na integração de informações e na ampliação da interoperabilidadeentre as Marinhas participantes.
A Coordenação da Área Marítima do Atlântico Sul (CAMAS) exerce papel central nesseesforço. Por meio de um sistema rotativo, Oficiais-Generais das Marinhas da Argentina, Brasil e Uruguaise alternam no cargo de Coordenador, assegurando continuidade e compartilhamento deresponsabilidades. Sua estrutura permanente conta ainda com os Assessores Nacionais e com osComandantes Locais de Controle Operativo (COLCO), incluindo os do Paraguai, responsáveis pelasatividades relacionadas à direção, ao monitoramento e à defesa do comércio marítimo e fluvial, da pesca edas demais atividades desenvolvidas nas águas de interesse dos quatro países da AMAS.
Desde 6 de março deste ano, quando recebeu a Coordenação da Marinha do Uruguai,cabe à Marinha do Brasil, por intermédio do Comando de Operações Marítimas e Proteção da AmazôniaAzul, exercer a função de CAMAS e dar continuidade a essa trajetória de cooperação.
Nesse período, importantes iniciativas vêm contribuindo para ampliar a capacidade daOrganização. Destacam-se o desenvolvimento do SISCAM-E, sistema destinado a apoiar o planejamento,a condução e a avaliação dos exercícios de Controle Naval do Tráfego Marítimo (CNTM), desenvolvidopelo Centro de Apoio a Sistemas Operativos (CASOP); a participação no exercício TRANSOCEANICXXXIII; e a realização, de forma pioneira, de um exercício de CNTM durante a Operação FRATERNO.Soma-se a essas ações o convite às Marinhas dos países da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul(ZOPACAS) para participarem como observadores da estrutura e ampliarem o intercâmbio deinformações de interesse para a segurança marítima.
Essas iniciativas apontam para uma evolução natural da Organização. Ao aproximarpaíses, integrar informações, compartilhar tecnologias e aperfeiçoar procedimentos, a CAMAS amplia suacontribuição para uma percepção comum do ambiente marítimo e fortalece a capacidade regional deantecipar riscos e coordenar respostas, preservando o caráter cooperativo que marcou sua criação.
O desafio para os próximos anos será continuar evoluindo sem perder essa essência.Fortalecer a Consciência Situacional Marítima, incorporar novas tecnologias, aperfeiçoar os mecanismosde fusão e compartilhamento de informações e ampliar a interoperabilidade entre Marinhas e instituiçõesparceiras representam passos importantes para que o CAMAS continue oferecendo respostas compatíveiscom a crescente complexidade do Atlântico Sul.
Neste 59º aniversário, celebrado em 18 de agosto, o CAMAS homenageia todos osOficiais-Generais, Assessores, COLCO, militares e servidores que, ao longo de quase seis décadas,contribuíram para construir e aperfeiçoar esta Organização. Mais do que recordar uma trajetória, esta datareafirma o compromisso das quatro Marinhas da AMAS com a cooperação, a confiança mútua e asegurança marítima e fluvial, preservando o Atlântico Sul como espaço de paz, estabilidade e cooperaçãoe projetando para o futuro uma Organização cada vez mais integrada, interoperável e preparada para osdesafios do mar.
Estamos juntos, e juntos somos mais fortes!
Rio de Janeiro, RJ, 18 de agosto de 2026.
LUCIANO CALIXTO DE ALMEIDA JUNIOR
Contra-Almirante
Coordenador da Área Marítima do Atlântico Sul
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